domingo, 28 de agosto de 2011

Controlar, programar e ter que lidar sempre com o movimento vital.

Buscamos loucamente estabilidade, quando o tempo todo a vida nos mostra que tudo é tão instável, dinâmico, pouco controlável.
Para lidar com essas angústias tememos o descontrole, tentamos planejar o futuro, controlar a nós mesmos e os outros também.
É libertador e salutar quando aprendemos a lidar com as intercorrências, as turbulências, o movimento das ondas, e os possíveis tempos de terremotos e tsunamis.
Fatos: Nascemos, envelhecemos, adoecemos e morremos.
Ceticismo? Não,realidade.
O tesouro está em descobrir que o que importa mesmo é o caminho, apesar das intempéries, é o caminho que por vezes (e muitas vezes)é belo, prazeroso e enriquecedor.
Penso que o caminho que não fazemos a menor idéia de onde vai dar é o sentido rico de desenvolver-se.
Cuide e admire o seu caminho, lide com o que tem que ser lidado e coragem pra continuar o percurso e admirar a paisagem e os encontros, apesar dos desencontros.
Como disse um querido professor: "A análise liberta, e se não libertou mude de analista".

Pensei em mudar o nome do blog..... mas mudei de idéia...

Estou fazendo formação em psicanálise, e este foi meu grande encontro durante esse ano até agora.
Pensei em mudar o nome do blog para: "Crescendo com psicanálise".
Mas mudei de idéia....
Tudo começou na minha história, (apesar de sempre fazer minha análise pessoal)com psicoterapia, no exercício da minha profissão tenho sido psicoterapeuta de orientação psicanalítica, agora assim estou crescendo com a psicanálise (sei que trata-se de um caminho longo e sem volta), me tornando a cada dia que passa uma psicanalista.
Estou feliz, o novo e enorme processo de aprendizagem traz muita angústia, muita transformação, muito desamparo ao saber que o saber não é linear, e não tem fim, não se esgota. Porém é extremamente libertador!
Traçando um paralelo com a busca de tratamento, mobiliza angústia mas liberta.Quer crescer? Quer encarar? Vamo que vamo....
Nunca tive dúvida nenhuma do quanto vale a pena rever tudo, repensar, mudar o curso do pensamento, do andar, mudar de idéia.....adoro essa possibilidade! Faz com que eu me sinta livre, e isso é conquista baseada em esforço , entrega e consequentemente crescimento.
Não quero passar uma mensagem de fanatismo em relação a psicanálise, mas sim de profundo respeito e identificação.

sábado, 23 de abril de 2011

Somos novos filhos, quando nos tornamos pais.

Nascemos dependendo totalmente dos nossos pais, nossos cuidadores.
Durante os primeiros meses de vida somos simbióticos, e essa dependência é necessária.
Assim como é necessária a separação gradual na medida que o desenvolvimento permite.
É extremamente difícil saber quando os filhos não precisam mais tanto dos pais.
É fundamental que essa separação aconteça. O correto e saudável é sofrido e conflitante.
A ambivalência do viver.
Quando nos tornamos pais, para que nosso amadurecimento aconteça, é necessário e por vezes difícil(muito difícil) sair do papel de filhos infantis para filhos maduros.
Poder olhar os pais como falíveis, sair do papel de julgá-los. Compreender suas demandas sem necessariamente aceitá-las, é doloroso.
Olhar para nossa referência heróica e idealizada, agora adultos, com os olhos reais que encontra limitações e fragilidades, é lidar com a realidade falha, dura, necessária.
É perder o super homem e a mulher maravilha milagrosos, que nos salvavam de tudo, para lidar com o humano limitado e constrangido, por não ocupar mais esse papel.
É deixarmos nossa onipotência de lado, para poder perdoar, aceitar, lidar, e se encorajar para nos mostrarmos falíveis aos nossos filhos.
Super Heróis e Super Heroínas da realidade. Talvez seja o caminho mais coerente a se escolher. Talvez o das relações mais verdadeiras, porém não o mais fácil,longe do bucólico.

sábado, 17 de julho de 2010

Eu amo, eu odeio, eu penso, eu ajo por impulso, eu existo!

O texto anterior é pessoal. Mostra minhas fragilidades, é um desabafo!!!!!
Sou de verdade, sinto tudo a todo tempo, como todo mundo. Estável, instável...
Fugi ao tema, a proposta do blog? Talvez.
Mas também me libertei. Sim falarei dos benefícios da psicoterapia,mas também falarei da importância de sermos o que somos, e também de mudar tudo o que nós somos, para descobrir quem somos e no que nos transformamos, ainda mais livres, ainda mais verdadeiros, ainda mais corajosos.
Acho bacana, quem está de fora saber que psicólogo, é real, limitado, erra, é de verdade.
Não vai de disco voador ao consultório, lida com problemas cotidianos, ganha, perde e apesar da neutralidade ser necessária para a relação terapêutica acontecer, fica ali uma marca, um registro, uma emoção de como aquele profissional com toda a sua técnica, independente de qual seja, está contaminado da sua existência e jeito de ser e pensar.
Por isso tão fundamental a análise pessoal, na formação do profissional.

E como dizia Paulo Leminski " Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além."

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Odeio verdades absolutas

Quando fico intransigente não saio do lugar.
Quando encontro pessoas que possuem verdades absolutas, dogmas, elas congelam em um pensamento e sinto que a relação não aconteceu verdadeiramente.
A alternativa que encontro para manter o mínimo de "bom clima" é concordar sempre. Que horrível sensação de aprisionamento.Só faço, quando não há saída e nem energia pra investir,porque para estar com o outro preciso de mim e do outro.
Quando ousamos discordar dos possuidores das verdades absolutas, sentem-se afrontados.(Confesso que já possui muitas delas e tenho treinado o desapego e a descontrução diariamente...)
Fico pensando porque? Será uma ferida narcísica mal cuidada?
Somos tudo o que acreditamos, mas não podemos mudar de idéia no meio do caminho?
Não é bom estar com o outro e podermos ouvir o que ele tem a nos dizer?
Meus maiores crescimentos acontecem nas oportunidades em que ouço realmente o que o outro me diz.Reflito e posteriormente, após o meu filtro, faço ou não alguma coisa com aquilo.
Não é assim que nasce uma relação de verdade?
Tenho dificuldade de me relacionar com quem não está disposto a troca e só a imposição.
Certamente dificulto a aproximação de alguém quando também fico assim.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre psicodiagnóstico

O psicodiagnóstico é necessário.
É um norte para o tratamento psicoterápico.
Processo fundamental para saber os encaminhamentos necessários, e a conduta psicoterapêutica.
Porém é preciso cuidado.
Antes, mas bem antes do CID,e do DSM, tem uma pessoa que vem ao consultório procurar ajuda.
Tem uma fala, tem uma história.
É preciso que o profissional sempre possa ver o todo além da classificação que organiza e direciona o tratamento.
A pessoa está com determinada psicopatologia, ela ainda é a pessoa e não a doença.

Ai que medo dessa tal felicidade...

Quando tudo passa a caminhar como deveria, e os frutos dos nossos esforços começam a aparecer, é comum sentirmos medo.
Algo pode dar errado... até quando vai durar?
Não vou contar pra ninguém, podem ter inveja.
E será mesmo que a inveja tem esse poder de destruição?
Sim, a inveja existe, é fato, é um sentimento inerente a todos nós.
Mas não é superpoderosa.
Por que não podemos nos sentir merecedores das nossas conquistas e gozar o prazer que elas nos proporcionam?
Sim, nós podemos!
Elas são nossas, nós corremos atrás e agora aproveite.
A adversidade vem, porque vem, it's life.
Mas não vem para "destruir".
Comemore!
Foi você quem chegou lá!